terça-feira, 19 de julho de 2011

Radiohead - The King of Limbs [2011]



Tirando o facto de dizerem que se inspiraram numa árvore para fazer um álbum, desta vez, não surpreenderam, mas vamos lá ver uma coisa. Quantas vezes estes senhores já nos puseram de boca aberta?

Primeiro, foi a resposta estrondosa a um álbum de estreia pobrezinho com um "The Bends".
Depois, quando pensávamos que não podia haver resposta a um álbum como o "The Bends" saiu um "OK Computer" para nos trocar as voltas e de seguida, a mudança de sonoridade com o "Kid A" e o seu irmãozinho "Amnesiac" onde mergulharam para a música electrónica.
Misturaram tudo o que fizeram e construíram um "Hail to the Thief" muito bom.
O seu sétimo álbum, "In Rainbows" mistura as duas sonoridades da banda mas é mais complexo e com melhores composições. É também mais experimental não só no sentido electrónico mas também no uso de outros instrumentos e sons de fundo. No fundo, é o pico da maturidade desta banda.

"The King of Limbs" é basicamente um "In Rainbows" mais fraquinho mas sendo Radiohead, acaba por ser bom à mesma.

A primeira faixa entitula-se de "bloom" . Começa com um piano rápido e estonteante que passa para plano de fundo quando entra o trabalho brilhante de percussão de Phil Selway. Esperam que este ritmo alucinante fique a rodar na nossa cabeça e só aí é que “deixam” entrar a voz estupenda de Thom Yorke. “ Open your mouth wide / A universal sigh”. Bons versos para começar um álbum sem dúvida.
A seguir vem “Morning mr. Magpie” que continua com a prestação fabulosa de Phil na bateria mas desta vez deram mais destaque às guitarras. Seguindo um trocadilho engraçado liricamente Thom Yorke tem uma boa prestação na voz também.
A terceira música deste álbum intitula-se de “Little by litlle” e é das melhores faixas do álbum.
As guitarras e os ritmos são o que mais se destacam nesta música.
“Ferral” é um instrumental rápido e feroz (mais uma vez o senhor Phill Selway a mostrar como se faz) que tem também um baixo destorcido fenomenal.
A quinta faixa é também o 1º single e chama-se “lotus flower” . Muita gente destacará o beat ou o falseto de Thom Yorke mas eu destaco a extraordinária linha de baixo. Quando oiço esta faixa na minha aparelhagem mais pequena até as colunas tremem devido à força e presença que esta linha de baixo possui! Aconselho vivamente a verem o vídeo também.
Chega a melhor faixa do álbum e aquela que para mim devia ter finalizado o mesmo: “Codex”. A banda se calhar não quis finalizar o álbum com esta música porque no “In Rainbows” possui uma última faixa do mesmo género desta (piano e voz) só que esta “Codex” é mais inovadora pois possui a participação da London Telefilomnic Orchestra
e tem também sons de ambiente como pássaros a cantar.
Esse som de pássaros que finaliza a “Codex” concilia-se no início da “give up the ghost”, uma balada acústica muito bem conseguida.
“Separator” finaliza o álbum com aquilo que ele teve de melhor: A voz de Thom Yorke e o trabalho na bateria de Phil Selway.

Se calhar, estamos sempre à espera que os Radiohead estejam sempre a fazer obras – primas e este “The King of Limbs” desiludiu nesse aspecto. Não é uma obra – prima. É um bom álbum, só isso.


 Nota Final: 7,5





Vídeo promocional ao 1º single de "The king of limbs" - "Lotus flower"

sábado, 16 de julho de 2011

Incubus - If not now, when? [2011]



Os Incubus são das bandas que provavelmente mais estilos engrupou na música ao longo destes anos (já lá vão vinte!). Desta vez trazem-nos um álbum sólido e que foge drasticamente a qualquer coisa que esta banda tenha alguma vez feito. O producto final? Um álbum bom, mas tudo o que nós não esperamos dos Incubus.


Começaram com um "Fungus Amongus" cheio de influências de Red Hot Chili Peppers e Primus e com a aderência do DJ Lyfe associaram o seu som ao nu-metal com o álbum "S.C.I.E.N.C.E". Apesar de podermos associar a sua sonoridade a esse sub-género, é um álbum que apanha uma bebedeira pois bebeu influências de muitos géneros e estilos e desde já notava-se a disponibilidade em arriscar como banda em relação ao som da mesma.
 A pouco e pouco, sem pressas, vão-se distanciado cada vez mais do nu-metal e vão ficando cada vez mais softs."Make Yourself" ainda se pode considerar nu-metal mas é um álbum mais maturo e contém um nu-metal de uma banda que via-se que queria ser mais do que uma mera banda. Um conjunto decidido a arriscar portanto. O single "Drive" leva a banda à ribalta e "Stellar" e "Pardon me" são os pilares desse sucesso
Para manter o ritmo acelerado, bastaram dois anos para que a banda lança-se "Morning View". Na minha opinião, é o melhor disco da banda pois tanto a vertente pop da banda como a vertente mais experimental e a vertente mais pesada são de extrema qualidade.
 A mudança de baixista ( que marcou a retirada de Dirk Lance para a entrada do então guitarrista dos The Roots , Ben Kenney) é o acontecimento que se realça mais depois da pausa de três anos após o lançamento de “Morning View”. Dirk é mais ou menos um Flea para os Red Hot Chili Peppers, ou seja, aquele baixo funkie dos Incubus a pouco e pouco foi desaparecendo até desaparecer mesmo. No entanto, Ben Kenney além de ter influenciado a banda a usar novos instrumentos é um músico muito mais completo (toca bem uma guitarra como uma bateria e baixo além de cantar igualmente bem) e possui (musicalmente) uma mente muito mais aberta, ou seja, enquanto Dirk podia fazer mais uns álbuns do género “Make Yourself” e “Morning View”, o senhor Ben Kenney estava disposto a arriscar juntamente com a banda. Em 2004, lançam “A Crow lef of the murder” que prova que a banda está bem vivinha da silva. “Megalomaniac” estoira nos tops e causa polémica e músicas como “talk shows on mute” e “sick sad little world” também não passaram ao lado. Dois anos bastaram para lançaram o seu sexto álbum que se intitula de “Light Grenades”. No que toca à qualidade dos singles é se calhar o pior lançamento de singles desta banda pois só mostraram o lado mais pop e dão uma ideia errada a um álbum que não é assim tão mau. 

Cinco anos passaram até lançaram este “If not now, when?”. Foi a maior pausa que fizeram entre lançamentos de álbuns. Será que valeu a pena? Eu sinto um misto de emoções. Por um lado, apesar do álbum ter uma sonoridade que não é a minha praia não deixa de ser um bom álbum e isso deixa-me feliz. Por outro, não é o que eu (e acho que ninguém) esperava deles.



A primeira música (que curiosamente tem o mesmo nome do álbum e é o terceiro single) começa com uma introdução orquestral que nos causa suspense e depois acaba para dar entrada a um trabalho bom e minimalista de Jose Pasillas na bateria. O baixo também não é nada de se deitar fora.
Quando a voz do senhor Brandon Boyd entra, esquecemos tudo e damos a atenção toda à sua voz. É das melhores prestações de Brandon neste álbum. E logo a abrir!
Segue-se “Promises, promises”. Conhecendo o que os Incubus têm feito estes últimos anos, era previsível uma canção pop (ainda mais pop que a anterior) para adoçar o álbum logo de início. Destaque para o Mike no piano e para a voz de Brandon.
“Friends and lovers” e “Thieves” são parecidas embora a segunda nos faça salivar para uma música mais pesada devido à introdução mas não passa de um falso alarme.
A partir daqui, o álbum começa a aquecer. Chega “isadore” que apesar de ter letras do mesmo género das anteriores é superior liricamente a todas as músicas que estão antes dela. A bateria ao entrar faz-nos ver imagens em flashback e a voz de Brandon causa um contraste muito bem conseguido com a agressividade nos batimentos da bateria.
Posteriormente, temos “The original”. Das melhores faixas do álbum. Quando a música já nos levou para uma dimensão suficientemente elevada quando estoira no fim sentimos que conseguimos voar. É das faixas mais pesadas do álbum.
Para contrastar e aliviar um bocadinho destas baladas/semi-baladas temos “defiance”. A simplicidade/minimalismo no seu melhor. Viola e voz. Mais para quê?
Em termos de estrutura musical é mais que óbvio que “in the company of wolves” é a melhor música do álbum e das melhores músicas que os Incubus alguma vez fizeram. O mais interessante nesta música é que mostra os dois lados da banda. O lado mais sentimentalista e amoroso e na mudança de andamento, um som mais agressivo (pode não ser muito pesado, mas a agressividade está lá, doutra maneira, mas está). Não percebo também a crítica de certas pessoas pelo facto de não acreditarem que esta música tem influências de Pink Floyd. Uma banda que faz um “S.C.I.E.N.C.E” e diz que se influencia em Bjork, catorze anos depois não pode fazer um álbum destes e dizer que se influenciou em Pink Floyd numa música? Se realmente se influenciaram isso acaba por não ser relevante. É uma excelente música e pronto.As surpresas ainda não acabavam ora não chegasse logo de seguida “Switchblade”. Um beat funkie e rápido. O baixo está espectacular. O riff acompanha com agressividade a música a voz e a letra estão muito boas. (“Light like a feather/ Bright as a dying star/Cut those together/Girl that is what you are”). “Adolescents” é o “come back” ao pop docinho tendo um bom solo e causando nostalgia e “tommorow’s food” encerra o álbum de maneira calma e filosófica pois Brandon disse estar a se referir ao filósofo Ken Wilbur’s (“No epoch is finally privileged. We are all tomorrow's food. The process continues. And spirit is found in the process itself, not in any particular epoch, or time, or place.")

Não é o que esperava mas tenho-me de render. É um bom álbum de rock/pop. O último álbum de rock/pop que me deixou assim foi o de Florence + the Machine e já lá vai um tempinho.
Deixa-me curioso (como sempre) para saber o que vão fazer a seguir. Não me parece que a repetição da fórmula deste álbum seja o ideal.

Nota final: 7.0

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Vídeo promocional do 1º single de "If not now, when?" - "Adolescents"






Vídeo promocional do 2º single de "If not now, when?" - "Promises, Promises"



Vídeo promocional do 3º single de "If not now, when?" - "If not now, when?"


E ainda: - Brandon Boyd a falar de "If not now, when?"




 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Arctic Monkeys - Suck it and see [2011]

Depois do  “boom” do primeiro álbum, os “Macacos” conseguiram justificar o seu hype lançando um “favourite worste nightmare” muito bom mas a fórmula repetia-se apesar de conter mais alguma profundidade do que uma mera “riot van” . Exemplos disso são as músicas “505” e “if you were there beware” mas não bastava. Era necessário fazer alguma coisa de diferente se quisessem continuar a ter a atenção devida.
Para alguns foram muito drásticos, mas o “Humbug” foi um álbum de rock psicadélico que eu já não ouvi a muito tempo.  Contém também aquela que na minha opinião é a melhor música de sempre dos Arctic Monkeys: “Dance little liar”. É um álbum melancólico, sensual, com arranjos de órgão que nos dão arrepios à espinha e com Matt Helders na bateria como nunca o vimos. Anteriormente, a questão colocada era se conseguiriam justificar o hype. A questão que se colocou depois de ouvir este “humbug” era se iriam continuar nesta direcção ou se iriam voltar à sonoridade anterior.  Este “Suck it and see” é uma mistura dos dois. Mais pop que o “Humbug” mas menos pop que os dois primeiros álbuns. Não se pode dizer que este álbum tenha  um hit que faça estoirar as tabelas de venda mas também não é tão drástico como o “Humbug”. É no fundo uma mistura do psicadélico do “Humbug” com a ingenuidade e felicidade dos primeiros álbuns. O resultado? Bom.

O álbum começa com uma balada que tem como nome “She thunderstorms” em que o Alex Turner disse ter retirado a inspiração nos Estados Unidos da América quando dava uma grande tempestade. Uma das grandes características deste “puto” é ter a capacidade de olhar à sua volta e conseguir absorver o que vê para o papel sem soar sempre à mesma coisa e sempre com grande originalidade. Olhar para uma tempestade e associar que uma rapariga pode ser tão bonita e tão forte como a tempestade em si é de uma imaginação que deve ser louvável. Quando  entra a bateria de Matt Helders a música leva-nos a outra dimensão e a nossa imaginação tenta criar a rapariga que o autor retrata (ou , para os apaixonados, a levar a pensar na sua amada). Uma grande faixa de abertura que conta com um dos muitos solos psicadélicos que este álbum contém.
“Black treacle” contém mais ou menos a mesma fórmula que a sua anterior (começa com a guitarra e a voz que produz eco de Alex e posteriormente entramos outros instrumentos para nos dar mais iluminação à música)   só que soa mais a garagem.
Segue-se a brincadeira do álbum com “brick by brick”. Mesmo assim um bom trabalho na bateria e um bom solo. Matt Helders a ocupar os vocais principais não passa despercebido também.
De seguida temos o segundo single do álbum que contém “uma sonoridade simples e letra complexa. Uma música que os Arctic Monkeys queriam fazer há muito tempo”, disse Alex Turner. Bem, valeu a pena.
A partir da quinta faixa começa o momento mais pesado do álbum. “Don’t sit down (cause I’ve moved your chair)” é talvez a música mais pesada que esta banda alguma vez fez não só pelo instrumental mas pelo clima que a música cria. Chegamos a metade do álbum com uma música rápida que vai direita ao assunto. É talvez a música do álbum em que os instrumentos mais se identificam com a música.  Uma linha de baixo à altura, uma bateria estonteante e dois solos rápidos e demolidores. “All my own stunts” tem a participação de Josh Homme na voz mas este Josh Homme está lá de outra maneira ora estes solos durante o álbum não fizessem lembrar Queens of the Stone Age.
Com uma linha de baixo a fazer lembrar Nirvana começa a oitava música do álbum que tem como nome “Reckless Serenade”. É um amor de canção que retrata isso mesmo, o amor de uma forma engraçada como o Alex sabe fazê-lo e bem (“The type of kises, where teeth colyde” ).
Numa entrevista à BLITZ , Alex Turner disse que procurava manter o equilíbrio entre as músicas pesadas e as mais leves. Isso é visível neste álbum pois a partir daqui é só baladas até acabar o álbum.
Dou especial destaque à última faixa do álbum (“That’s where you’re wrong”) e “Suck it and see” (“That's not a skirt girl that's a shown of a shotgun/And I can only hope you have it aimed at me)

Meninos? Nada disso. Agora usam óculos escuros, casacos de cabedal e fumam. Rebeldes por fora, mas lá no fundo, umas jóias de pessoas. É o que este CD nos mostra, uns mauzões que tanto fazem uma “library pictures” ou “don’t sit down (cause I’ve moved your chair)” mas que conseguem abrir o coração em “Love is a laserquest” ou “piledriver waltz”.

É um bom álbum. Já lá vai o quarto e o balanço geral é positivo. Resta saber se vão conseguir igualar  uns Oasis ou Coldplay (não em termos de qualidade musical, até porque na minha opinião são melhor que essas duas)mas em termos de grandeza e popularidade. Já faltou mais.

Nota final: 8.0/10

Oiço, penso e escrevo - O Blog

Olá a todos!
Este é o meu blog que falará a cima de tudo sobre música.


A música tem sido uma arte que me tem acompanhado ao longo da vida e de há uns anos para cá começei a me interessar mais sobre os artistas, as suas músicas e o significado das mesmas, a história por detrás das músicas e também por críticas musicais (profissionais ou não) a álbuns.


Neste blog encontrarão a minha crítica pessoal a álbuns de música. A avaliação será de 0 a 10.
Até agora tenho alguns temas que criei para dinamizar mais o blog. São os seguintes:


-De baixo da terra: É a tradução à letra da palavra estrangeira "underground". Será um tema onde abordarei e darei a conhecer bandas menos conhecidas que as pessoas poderão eventualmente não conhecer


-Classic: Tema onde darei a minha opinião sobre clássicos da música contemporânea.


-Em bom português: A ideia para o nome vem de um espaço dedicado no telejornal da RTP1 que tem o nome  "Assim se fala em bom português"  e vai abordar como já podem ter calculado, a música portuguesa.


- Live and loud: A ideia para o nome surgiu de um programa que costumava dar na MTV nos anos 90 e que transmitia ao vivo concertos de variadas bandas. Neste tema irei falar sobre álbuns ao vivo/bootlegs, DVD's musicais e concertos.


Críticas e sugestões podem ser enviadas para: opeeblog@gmail.com