sábado, 16 de julho de 2011

Incubus - If not now, when? [2011]



Os Incubus são das bandas que provavelmente mais estilos engrupou na música ao longo destes anos (já lá vão vinte!). Desta vez trazem-nos um álbum sólido e que foge drasticamente a qualquer coisa que esta banda tenha alguma vez feito. O producto final? Um álbum bom, mas tudo o que nós não esperamos dos Incubus.


Começaram com um "Fungus Amongus" cheio de influências de Red Hot Chili Peppers e Primus e com a aderência do DJ Lyfe associaram o seu som ao nu-metal com o álbum "S.C.I.E.N.C.E". Apesar de podermos associar a sua sonoridade a esse sub-género, é um álbum que apanha uma bebedeira pois bebeu influências de muitos géneros e estilos e desde já notava-se a disponibilidade em arriscar como banda em relação ao som da mesma.
 A pouco e pouco, sem pressas, vão-se distanciado cada vez mais do nu-metal e vão ficando cada vez mais softs."Make Yourself" ainda se pode considerar nu-metal mas é um álbum mais maturo e contém um nu-metal de uma banda que via-se que queria ser mais do que uma mera banda. Um conjunto decidido a arriscar portanto. O single "Drive" leva a banda à ribalta e "Stellar" e "Pardon me" são os pilares desse sucesso
Para manter o ritmo acelerado, bastaram dois anos para que a banda lança-se "Morning View". Na minha opinião, é o melhor disco da banda pois tanto a vertente pop da banda como a vertente mais experimental e a vertente mais pesada são de extrema qualidade.
 A mudança de baixista ( que marcou a retirada de Dirk Lance para a entrada do então guitarrista dos The Roots , Ben Kenney) é o acontecimento que se realça mais depois da pausa de três anos após o lançamento de “Morning View”. Dirk é mais ou menos um Flea para os Red Hot Chili Peppers, ou seja, aquele baixo funkie dos Incubus a pouco e pouco foi desaparecendo até desaparecer mesmo. No entanto, Ben Kenney além de ter influenciado a banda a usar novos instrumentos é um músico muito mais completo (toca bem uma guitarra como uma bateria e baixo além de cantar igualmente bem) e possui (musicalmente) uma mente muito mais aberta, ou seja, enquanto Dirk podia fazer mais uns álbuns do género “Make Yourself” e “Morning View”, o senhor Ben Kenney estava disposto a arriscar juntamente com a banda. Em 2004, lançam “A Crow lef of the murder” que prova que a banda está bem vivinha da silva. “Megalomaniac” estoira nos tops e causa polémica e músicas como “talk shows on mute” e “sick sad little world” também não passaram ao lado. Dois anos bastaram para lançaram o seu sexto álbum que se intitula de “Light Grenades”. No que toca à qualidade dos singles é se calhar o pior lançamento de singles desta banda pois só mostraram o lado mais pop e dão uma ideia errada a um álbum que não é assim tão mau. 

Cinco anos passaram até lançaram este “If not now, when?”. Foi a maior pausa que fizeram entre lançamentos de álbuns. Será que valeu a pena? Eu sinto um misto de emoções. Por um lado, apesar do álbum ter uma sonoridade que não é a minha praia não deixa de ser um bom álbum e isso deixa-me feliz. Por outro, não é o que eu (e acho que ninguém) esperava deles.



A primeira música (que curiosamente tem o mesmo nome do álbum e é o terceiro single) começa com uma introdução orquestral que nos causa suspense e depois acaba para dar entrada a um trabalho bom e minimalista de Jose Pasillas na bateria. O baixo também não é nada de se deitar fora.
Quando a voz do senhor Brandon Boyd entra, esquecemos tudo e damos a atenção toda à sua voz. É das melhores prestações de Brandon neste álbum. E logo a abrir!
Segue-se “Promises, promises”. Conhecendo o que os Incubus têm feito estes últimos anos, era previsível uma canção pop (ainda mais pop que a anterior) para adoçar o álbum logo de início. Destaque para o Mike no piano e para a voz de Brandon.
“Friends and lovers” e “Thieves” são parecidas embora a segunda nos faça salivar para uma música mais pesada devido à introdução mas não passa de um falso alarme.
A partir daqui, o álbum começa a aquecer. Chega “isadore” que apesar de ter letras do mesmo género das anteriores é superior liricamente a todas as músicas que estão antes dela. A bateria ao entrar faz-nos ver imagens em flashback e a voz de Brandon causa um contraste muito bem conseguido com a agressividade nos batimentos da bateria.
Posteriormente, temos “The original”. Das melhores faixas do álbum. Quando a música já nos levou para uma dimensão suficientemente elevada quando estoira no fim sentimos que conseguimos voar. É das faixas mais pesadas do álbum.
Para contrastar e aliviar um bocadinho destas baladas/semi-baladas temos “defiance”. A simplicidade/minimalismo no seu melhor. Viola e voz. Mais para quê?
Em termos de estrutura musical é mais que óbvio que “in the company of wolves” é a melhor música do álbum e das melhores músicas que os Incubus alguma vez fizeram. O mais interessante nesta música é que mostra os dois lados da banda. O lado mais sentimentalista e amoroso e na mudança de andamento, um som mais agressivo (pode não ser muito pesado, mas a agressividade está lá, doutra maneira, mas está). Não percebo também a crítica de certas pessoas pelo facto de não acreditarem que esta música tem influências de Pink Floyd. Uma banda que faz um “S.C.I.E.N.C.E” e diz que se influencia em Bjork, catorze anos depois não pode fazer um álbum destes e dizer que se influenciou em Pink Floyd numa música? Se realmente se influenciaram isso acaba por não ser relevante. É uma excelente música e pronto.As surpresas ainda não acabavam ora não chegasse logo de seguida “Switchblade”. Um beat funkie e rápido. O baixo está espectacular. O riff acompanha com agressividade a música a voz e a letra estão muito boas. (“Light like a feather/ Bright as a dying star/Cut those together/Girl that is what you are”). “Adolescents” é o “come back” ao pop docinho tendo um bom solo e causando nostalgia e “tommorow’s food” encerra o álbum de maneira calma e filosófica pois Brandon disse estar a se referir ao filósofo Ken Wilbur’s (“No epoch is finally privileged. We are all tomorrow's food. The process continues. And spirit is found in the process itself, not in any particular epoch, or time, or place.")

Não é o que esperava mas tenho-me de render. É um bom álbum de rock/pop. O último álbum de rock/pop que me deixou assim foi o de Florence + the Machine e já lá vai um tempinho.
Deixa-me curioso (como sempre) para saber o que vão fazer a seguir. Não me parece que a repetição da fórmula deste álbum seja o ideal.

Nota final: 7.0

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Vídeo promocional do 1º single de "If not now, when?" - "Adolescents"






Vídeo promocional do 2º single de "If not now, when?" - "Promises, Promises"



Vídeo promocional do 3º single de "If not now, when?" - "If not now, when?"


E ainda: - Brandon Boyd a falar de "If not now, when?"




 

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