Depois do “boom” do primeiro álbum, os “Macacos” conseguiram justificar o seu hype lançando um “favourite worste nightmare” muito bom mas a fórmula repetia-se apesar de conter mais alguma profundidade do que uma mera “riot van” . Exemplos disso são as músicas “505” e “if you were there beware” mas não bastava. Era necessário fazer alguma coisa de diferente se quisessem continuar a ter a atenção devida.
Para alguns foram muito drásticos, mas o “Humbug” foi um álbum de rock psicadélico que eu já não ouvi a muito tempo. Contém também aquela que na minha opinião é a melhor música de sempre dos Arctic Monkeys: “Dance little liar”. É um álbum melancólico, sensual, com arranjos de órgão que nos dão arrepios à espinha e com Matt Helders na bateria como nunca o vimos. Anteriormente, a questão colocada era se conseguiriam justificar o hype. A questão que se colocou depois de ouvir este “humbug” era se iriam continuar nesta direcção ou se iriam voltar à sonoridade anterior. Este “Suck it and see” é uma mistura dos dois. Mais pop que o “Humbug” mas menos pop que os dois primeiros álbuns. Não se pode dizer que este álbum tenha um hit que faça estoirar as tabelas de venda mas também não é tão drástico como o “Humbug”. É no fundo uma mistura do psicadélico do “Humbug” com a ingenuidade e felicidade dos primeiros álbuns. O resultado? Bom.
O álbum começa com uma balada que tem como nome “She thunderstorms” em que o Alex Turner disse ter retirado a inspiração nos Estados Unidos da América quando dava uma grande tempestade. Uma das grandes características deste “puto” é ter a capacidade de olhar à sua volta e conseguir absorver o que vê para o papel sem soar sempre à mesma coisa e sempre com grande originalidade. Olhar para uma tempestade e associar que uma rapariga pode ser tão bonita e tão forte como a tempestade em si é de uma imaginação que deve ser louvável. Quando entra a bateria de Matt Helders a música leva-nos a outra dimensão e a nossa imaginação tenta criar a rapariga que o autor retrata (ou , para os apaixonados, a levar a pensar na sua amada). Uma grande faixa de abertura que conta com um dos muitos solos psicadélicos que este álbum contém.
“Black treacle” contém mais ou menos a mesma fórmula que a sua anterior (começa com a guitarra e a voz que produz eco de Alex e posteriormente entramos outros instrumentos para nos dar mais iluminação à música) só que soa mais a garagem.
Segue-se a brincadeira do álbum com “brick by brick”. Mesmo assim um bom trabalho na bateria e um bom solo. Matt Helders a ocupar os vocais principais não passa despercebido também.
De seguida temos o segundo single do álbum que contém “uma sonoridade simples e letra complexa. Uma música que os Arctic Monkeys queriam fazer há muito tempo”, disse Alex Turner. Bem, valeu a pena.
A partir da quinta faixa começa o momento mais pesado do álbum. “Don’t sit down (cause I’ve moved your chair)” é talvez a música mais pesada que esta banda alguma vez fez não só pelo instrumental mas pelo clima que a música cria. Chegamos a metade do álbum com uma música rápida que vai direita ao assunto. É talvez a música do álbum em que os instrumentos mais se identificam com a música. Uma linha de baixo à altura, uma bateria estonteante e dois solos rápidos e demolidores. “All my own stunts” tem a participação de Josh Homme na voz mas este Josh Homme está lá de outra maneira ora estes solos durante o álbum não fizessem lembrar Queens of the Stone Age.
Com uma linha de baixo a fazer lembrar Nirvana começa a oitava música do álbum que tem como nome “Reckless Serenade”. É um amor de canção que retrata isso mesmo, o amor de uma forma engraçada como o Alex sabe fazê-lo e bem (“The type of kises, where teeth colyde” ).
Numa entrevista à BLITZ , Alex Turner disse que procurava manter o equilíbrio entre as músicas pesadas e as mais leves. Isso é visível neste álbum pois a partir daqui é só baladas até acabar o álbum. Dou especial destaque à última faixa do álbum (“That’s where you’re wrong”) e “Suck it and see” (“That's not a skirt girl that's a shown of a shotgun/And I can only hope you have it aimed at me)
Meninos? Nada disso. Agora usam óculos escuros, casacos de cabedal e fumam. Rebeldes por fora, mas lá no fundo, umas jóias de pessoas. É o que este CD nos mostra, uns mauzões que tanto fazem uma “library pictures” ou “don’t sit down (cause I’ve moved your chair)” mas que conseguem abrir o coração em “Love is a laserquest” ou “piledriver waltz”.
É um bom álbum. Já lá vai o quarto e o balanço geral é positivo. Resta saber se vão conseguir igualar uns Oasis ou Coldplay (não em termos de qualidade musical, até porque na minha opinião são melhor que essas duas)mas em termos de grandeza e popularidade. Já faltou mais.
Nota final: 8.0/10

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